Módulos quebrados na obra: o que o EPC faz, quem paga e como destinar

Os três tipos de avaria em obra de usina solar, o registro que protege o EPC em cada caso e como tirar os módulos do canteiro com documento antes da entrega.

Por , fundador da SunR · 4 min de leitura · Atualizado em

Dois operadores carregam um módulo fotovoltaico com o vidro trincado até uma carreta sider de lona azul aberta, estacionada em terreno de terra, com outros módulos já empilhados dentro
Coleta de módulos avariados no canteiro de uma usina em construção.

Toda obra de usina solar quebra módulos. Uma parte chega danificada, outra quebra no manuseio ou na montagem, e uma parte apresenta defeito no comissionamento. O problema é que esses módulos ficam no canteiro sem dono claro até a entrega, e aí atrasam a desmobilização e a documentação.

Resolver isso começa no recebimento e termina com o documento de destinação na pasta de entrega da usina.

Três tipos de avaria, três caminhos

O ponto em comum é o registro feito no dia. Avaria descoberta semanas depois, sem foto e sem ressalva no recebimento, costuma ficar com quem estava com o módulo por último: o EPC.

Regra prática. Quem paga depende dos contratos de fornecimento, transporte e EPC, e das apólices.
Onde quebrouQuem costuma responderO que registrar
No transporte, até o canteiroTransportadora ou seguro de cargaRessalva no canhoto ou no documento de entrega, fotos dos paletes fechados e abertos
Defeito de fabricaçãoFornecedor ou fabricante, pela garantia de produtoNúmero de série, fotos, laudo ou teste do comissionamento, protocolo de reclamação
Na descarga, no manuseio ou na montagemEm geral o EPC, conforme o contratoRegistro diário de obra, contagem por frente de serviço

Defeito de fábrica: não descarte antes da garantia

Quando o defeito é de fabricação, o fornecedor pode pedir o módulo para inspeção ou exigir laudo antes de aceitar a reclamação. Destinar o lote antes dessa resposta pode encerrar o direito à garantia.

Peça ao fornecedor, por escrito, a liberação para destinar ou a instrução de devolução. Com a liberação em mãos, o módulo segue para reciclagem como qualquer outro, e o CDF entra no processo de garantia como prova do destino.

Operador de camiseta da SunR e protetor auricular segura em pé, dentro de um galpão, um módulo fotovoltaico de grande formato com o vidro trincado em toda a superfície e etiqueta de devolução colada no canto
Módulo com etiqueta de devolução: a identificação acompanha o lote até o CDF.

Como organizar os módulos avariados no canteiro

  1. Área separada

    Um ponto do canteiro só para módulos avariados, longe da frente de montagem e do estoque de módulos bons.

  2. Separe por caso

    Transporte, garantia e montagem em paletes diferentes, identificados. Assim cada lote segue o seu caminho sem misturar responsabilidade.

  3. Vidro para baixo e fora da chuva

    Módulo quebrado ainda gera tensão ao sol e solta fragmentos. Cubra ou vire o vidro e proteja os conectores.

  4. Contagem semanal

    Quantidade por caso, com número de série quando houver. Essa planilha vira o pedido de coleta e a base do MTR.

Os cuidados de armazenamento em detalhe estão no guia armazenar módulos danificados na usina.

Quem é o gerador do resíduo na obra

O MTR precisa de um gerador, e a responsabilidade pelo resíduo é dele até a destinação final (art. 27 da PNRS). Em obra de usina, o gerador pode ser o EPC ou o dono do ativo, conforme o contrato e a licença de instalação.

Defina isso no contrato de EPC, junto com quem contrata a coleta e quem paga. Deixar para a entrega é o que faz módulos ficarem no canteiro depois da obra pronta.

Ponha a destinação no orçamento da obra

"Isso não estava no orçamento" é a frase que mais atrasa a saída dos módulos. A quebra em obra é previsível, então a destinação pode entrar como linha do orçamento desde a proposta, com uma estimativa de perda e um contrato de coleta já combinado.

Para EPCs com várias obras por ano, um contrato-quadro com a recicladora padroniza preço, documento e prazo em todas elas. A gestão de resíduos para EPC e O&M da SunR funciona assim.

Como a SunR atende a obra

A SunR coleta no canteiro sem parar a obra, com coletas encaixadas no cronograma e orientação de paletização. Os módulos seguem com MTR para a unidade de Montes Claros/MG, são reciclados por processo 100% mecânico e o cliente recebe o CDF e o relatório do lote, prontos para a pasta de entrega da usina e para o processo de garantia.

+6.000 t
de módulos contratados
+190.000
módulos contratados
+360
coletas desde 2020
+80%
de recuperação mecânica

Perguntas frequentes

Quem paga pelo módulo que quebrou na obra?

Depende de onde quebrou e dos contratos. Avaria de transporte vai para a transportadora ou o seguro de carga, defeito de fábrica para a garantia do fornecedor, e quebra na montagem costuma ficar com o EPC.

Posso descartar um módulo com defeito de fábrica?

Só depois que o fornecedor liberar por escrito. Destinar antes pode encerrar o direito à garantia.

O EPC precisa de MTR para tirar módulos do canteiro?

Sim. Toda saída de resíduo precisa de MTR, com gerador, transportador e destinador identificados.

Quem é o gerador do resíduo na obra: o EPC ou o dono da usina?

Depende do contrato e da licença de instalação. Defina isso no contrato de EPC antes do início da obra.

A coleta para a obra?

Não precisa. A coleta pode ser encaixada no cronograma, em área separada do canteiro.

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