Módulos quebrados na obra: o que o EPC faz, quem paga e como destinar
Os três tipos de avaria em obra de usina solar, o registro que protege o EPC em cada caso e como tirar os módulos do canteiro com documento antes da entrega.

Toda obra de usina solar quebra módulos. Uma parte chega danificada, outra quebra no manuseio ou na montagem, e uma parte apresenta defeito no comissionamento. O problema é que esses módulos ficam no canteiro sem dono claro até a entrega, e aí atrasam a desmobilização e a documentação.
Resolver isso começa no recebimento e termina com o documento de destinação na pasta de entrega da usina.
Três tipos de avaria, três caminhos
O ponto em comum é o registro feito no dia. Avaria descoberta semanas depois, sem foto e sem ressalva no recebimento, costuma ficar com quem estava com o módulo por último: o EPC.
| Onde quebrou | Quem costuma responder | O que registrar |
|---|---|---|
| No transporte, até o canteiro | Transportadora ou seguro de carga | Ressalva no canhoto ou no documento de entrega, fotos dos paletes fechados e abertos |
| Defeito de fabricação | Fornecedor ou fabricante, pela garantia de produto | Número de série, fotos, laudo ou teste do comissionamento, protocolo de reclamação |
| Na descarga, no manuseio ou na montagem | Em geral o EPC, conforme o contrato | Registro diário de obra, contagem por frente de serviço |
Defeito de fábrica: não descarte antes da garantia
Quando o defeito é de fabricação, o fornecedor pode pedir o módulo para inspeção ou exigir laudo antes de aceitar a reclamação. Destinar o lote antes dessa resposta pode encerrar o direito à garantia.
Peça ao fornecedor, por escrito, a liberação para destinar ou a instrução de devolução. Com a liberação em mãos, o módulo segue para reciclagem como qualquer outro, e o CDF entra no processo de garantia como prova do destino.

Como organizar os módulos avariados no canteiro
Área separada
Um ponto do canteiro só para módulos avariados, longe da frente de montagem e do estoque de módulos bons.
Separe por caso
Transporte, garantia e montagem em paletes diferentes, identificados. Assim cada lote segue o seu caminho sem misturar responsabilidade.
Vidro para baixo e fora da chuva
Módulo quebrado ainda gera tensão ao sol e solta fragmentos. Cubra ou vire o vidro e proteja os conectores.
Contagem semanal
Quantidade por caso, com número de série quando houver. Essa planilha vira o pedido de coleta e a base do MTR.
Os cuidados de armazenamento em detalhe estão no guia armazenar módulos danificados na usina.
Quem é o gerador do resíduo na obra
O MTR precisa de um gerador, e a responsabilidade pelo resíduo é dele até a destinação final (art. 27 da PNRS). Em obra de usina, o gerador pode ser o EPC ou o dono do ativo, conforme o contrato e a licença de instalação.
Defina isso no contrato de EPC, junto com quem contrata a coleta e quem paga. Deixar para a entrega é o que faz módulos ficarem no canteiro depois da obra pronta.
Ponha a destinação no orçamento da obra
"Isso não estava no orçamento" é a frase que mais atrasa a saída dos módulos. A quebra em obra é previsível, então a destinação pode entrar como linha do orçamento desde a proposta, com uma estimativa de perda e um contrato de coleta já combinado.
Para EPCs com várias obras por ano, um contrato-quadro com a recicladora padroniza preço, documento e prazo em todas elas. A gestão de resíduos para EPC e O&M da SunR funciona assim.
Como a SunR atende a obra
A SunR coleta no canteiro sem parar a obra, com coletas encaixadas no cronograma e orientação de paletização. Os módulos seguem com MTR para a unidade de Montes Claros/MG, são reciclados por processo 100% mecânico e o cliente recebe o CDF e o relatório do lote, prontos para a pasta de entrega da usina e para o processo de garantia.
Perguntas frequentes
Quem paga pelo módulo que quebrou na obra?
Depende de onde quebrou e dos contratos. Avaria de transporte vai para a transportadora ou o seguro de carga, defeito de fábrica para a garantia do fornecedor, e quebra na montagem costuma ficar com o EPC.
Posso descartar um módulo com defeito de fábrica?
Só depois que o fornecedor liberar por escrito. Destinar antes pode encerrar o direito à garantia.
O EPC precisa de MTR para tirar módulos do canteiro?
Sim. Toda saída de resíduo precisa de MTR, com gerador, transportador e destinador identificados.
Quem é o gerador do resíduo na obra: o EPC ou o dono da usina?
Depende do contrato e da licença de instalação. Defina isso no contrato de EPC antes do início da obra.
A coleta para a obra?
Não precisa. A coleta pode ser encaixada no cronograma, em área separada do canteiro.