Resíduos de módulos fotovoltaicos no relatório ESG: como reportar pelo GRI 306
Quais conteúdos do GRI 306 se aplicam aos módulos descartados de uma usina, de onde vêm os números e quais documentos sustentam o dado na verificação externa.

Geradoras de energia solar publicam relatório de sustentabilidade, e o capítulo de resíduos costuma ser o mais fraco. Os módulos quebrados ou retirados de campo aparecem como "resíduos diversos", sem tonelagem e sem destino, ou nem aparecem.
Para quem vende energia limpa, módulo em aterro é uma pergunta difícil de responder em uma verificação externa. Com os documentos certos, o mesmo lote vira um dado positivo e auditável.
O que o GRI 306 pede sobre resíduos
O GRI 306: Resíduos 2020 é a norma temática da Global Reporting Initiative para resíduos, a mais usada em relatórios de sustentabilidade de empresas de energia no Brasil. Ela tem cinco conteúdos.
| Conteúdo | O que pede | Para os módulos da usina |
|---|---|---|
| 306-1 | Geração de resíduos e impactos significativos | De onde vêm os módulos descartados: quebra em O&M, sinistro, repotenciação, fim de vida |
| 306-2 | Gestão dos impactos | Como a empresa armazena, contrata e verifica o destino, inclusive de terceiros |
| 306-3 | Resíduos gerados | Peso total de módulos descartados no período, em toneladas |
| 306-4 | Resíduos desviados da disposição | Peso reciclado ou preparado para reúso, por tipo de operação |
| 306-5 | Resíduos direcionados para disposição | Peso enviado para aterro, incineração ou outra disposição |
De onde vêm os números
O relatório pede toneladas, e a usina normalmente conta peças. A conversão é simples quando cada coleta tem documento.
MTR de cada saída
O Manifesto de Transporte de Resíduos registra gerador, transportador, destinador, tipo de resíduo e quantidade. Some os MTRs do período.
CDF do destinador
O Certificado de Destinação Final confirma que o lote chegou e qual foi o destino. É a prova que a verificação externa pede.
Relatório de destinação
Detalha o lote por material: vidro, alumínio, cabos, PMM. Permite reportar quanto foi reciclado e quanto foi rejeito.
DMR
A Declaração de Movimentação de Resíduos, no sistema MTR, consolida as quantidades do período e precisa bater com o relatório.
O passo a passo de cada documento está no guia MTR, CDF e relatório de destinação.
Reciclado ou aterro: o que muda no indicador
O mesmo lote cai em conteúdos diferentes conforme o destino. Módulo reciclado entra no 306-4, como resíduo desviado da disposição. Módulo enterrado entra no 306-5, como resíduo direcionado para disposição. Para uma geradora renovável, a relação entre os dois é o número que leitores e verificadores olham.
Venda como sucata é o caso mais difícil: sem CDF de destinador licenciado, a empresa não tem documento que diga se o material foi reciclado ou descartado, e o dado fica sem lastro. O guia reciclagem, aterro ou sucata compara os caminhos.
- Vidromoído, segue para a indústria do vidro e para microesferas de sinalização viária

- Alumínioperfis da moldura, seguem para fundição

- PMMmistura de plástico, silício e metais como prata

- Cabos e conectoresseguem para a recuperação do cobre

Erros comuns no capítulo de resíduos
- Reportar módulos em peças ou em "lotes", sem tonelagem.
- Juntar módulos com resíduos de obra ou de escritório e perder a rastreabilidade.
- Contar como reciclado o que foi vendido como sucata, sem CDF.
- Deixar de fora o estoque que está no pátio: ele ainda não foi destinado, mas existe e deve ser explicado no 306-2.
- Números que não batem com a DMR do sistema MTR.
O que a SunR entrega para o relatório
Cada coleta da SunR sai com MTR e termina com CDF e relatório de destinação do lote, com quantidade, peso, datas e destino de cada fração recuperada. Os módulos são reciclados por processo 100% mecânico na unidade de Montes Claros/MG, com recuperação de mais de 80% do módulo. Esse conjunto de documentos alimenta os conteúdos 306-3 e 306-4 e responde à verificação externa.
A SunR é a única recicladora com escala utility-scale e certificação PV CYCLE no Brasil, o que ajuda empresas com metas globais de reciclagem de módulos a cumprir a meta também nas usinas brasileiras. Veja o certificado PV CYCLE.
Perguntas frequentes
Módulo fotovoltaico descartado entra no relatório de sustentabilidade?
Sim. Pelo GRI 306, os módulos descartados são resíduos gerados pela operação e entram nos conteúdos 306-3 a 306-5, conforme o destino.
Em que unidade reportar?
Em toneladas métricas. O peso vem do MTR, do CDF e do relatório de destinação de cada lote.
Reciclagem de módulos conta como resíduo desviado da disposição?
Sim. Material reciclado entra no 306-4. Aterro e incineração entram no 306-5.
Qual documento a verificação externa pede?
Normalmente o CDF emitido pelo destinador licenciado, com o MTR da coleta e o relatório do lote.
E os módulos que ainda estão armazenados?
Ainda não foram destinados, mas devem ser explicados na gestão de resíduos (306-2), com plano e prazo de destinação.