Resíduos de módulos fotovoltaicos no relatório ESG: como reportar pelo GRI 306

Quais conteúdos do GRI 306 se aplicam aos módulos descartados de uma usina, de onde vêm os números e quais documentos sustentam o dado na verificação externa.

Por , fundador da SunR · 4 min de leitura · Atualizado em

Perfis de alumínio de molduras de painéis solares separados em gaiolas metálicas sobre paletes, no piso de um galpão
Alumínio de molduras recuperado na reciclagem: cada fração entra no relatório com peso e destino.

Geradoras de energia solar publicam relatório de sustentabilidade, e o capítulo de resíduos costuma ser o mais fraco. Os módulos quebrados ou retirados de campo aparecem como "resíduos diversos", sem tonelagem e sem destino, ou nem aparecem.

Para quem vende energia limpa, módulo em aterro é uma pergunta difícil de responder em uma verificação externa. Com os documentos certos, o mesmo lote vira um dado positivo e auditável.

O que o GRI 306 pede sobre resíduos

O GRI 306: Resíduos 2020 é a norma temática da Global Reporting Initiative para resíduos, a mais usada em relatórios de sustentabilidade de empresas de energia no Brasil. Ela tem cinco conteúdos.

O GRI 306 separa os resíduos perigosos dos não perigosos nos conteúdos 306-3 a 306-5.
ConteúdoO que pedePara os módulos da usina
306-1Geração de resíduos e impactos significativosDe onde vêm os módulos descartados: quebra em O&M, sinistro, repotenciação, fim de vida
306-2Gestão dos impactosComo a empresa armazena, contrata e verifica o destino, inclusive de terceiros
306-3Resíduos geradosPeso total de módulos descartados no período, em toneladas
306-4Resíduos desviados da disposiçãoPeso reciclado ou preparado para reúso, por tipo de operação
306-5Resíduos direcionados para disposiçãoPeso enviado para aterro, incineração ou outra disposição

De onde vêm os números

O relatório pede toneladas, e a usina normalmente conta peças. A conversão é simples quando cada coleta tem documento.

  1. MTR de cada saída

    O Manifesto de Transporte de Resíduos registra gerador, transportador, destinador, tipo de resíduo e quantidade. Some os MTRs do período.

  2. CDF do destinador

    O Certificado de Destinação Final confirma que o lote chegou e qual foi o destino. É a prova que a verificação externa pede.

  3. Relatório de destinação

    Detalha o lote por material: vidro, alumínio, cabos, PMM. Permite reportar quanto foi reciclado e quanto foi rejeito.

  4. DMR

    A Declaração de Movimentação de Resíduos, no sistema MTR, consolida as quantidades do período e precisa bater com o relatório.

O passo a passo de cada documento está no guia MTR, CDF e relatório de destinação.

Reciclado ou aterro: o que muda no indicador

O mesmo lote cai em conteúdos diferentes conforme o destino. Módulo reciclado entra no 306-4, como resíduo desviado da disposição. Módulo enterrado entra no 306-5, como resíduo direcionado para disposição. Para uma geradora renovável, a relação entre os dois é o número que leitores e verificadores olham.

Venda como sucata é o caso mais difícil: sem CDF de destinador licenciado, a empresa não tem documento que diga se o material foi reciclado ou descartado, e o dado fica sem lastro. O guia reciclagem, aterro ou sucata compara os caminhos.

  • Vidro recuperado da reciclagem de módulos fotovoltaicos, sobre fundo branco
    Vidromoído, segue para a indústria do vidro e para microesferas de sinalização viária
  • Alumínio recuperado da reciclagem de módulos fotovoltaicos, sobre fundo branco
    Alumínioperfis da moldura, seguem para fundição
  • PMM recuperado da reciclagem de módulos fotovoltaicos, sobre fundo branco
    PMMmistura de plástico, silício e metais como prata
  • Cabos e conectores recuperado da reciclagem de módulos fotovoltaicos, sobre fundo branco
    Cabos e conectoresseguem para a recuperação do cobre
As quatro frações que saem da reciclagem mecânica de um módulo fotovoltaico.

Erros comuns no capítulo de resíduos

  • Reportar módulos em peças ou em "lotes", sem tonelagem.
  • Juntar módulos com resíduos de obra ou de escritório e perder a rastreabilidade.
  • Contar como reciclado o que foi vendido como sucata, sem CDF.
  • Deixar de fora o estoque que está no pátio: ele ainda não foi destinado, mas existe e deve ser explicado no 306-2.
  • Números que não batem com a DMR do sistema MTR.

O que a SunR entrega para o relatório

Cada coleta da SunR sai com MTR e termina com CDF e relatório de destinação do lote, com quantidade, peso, datas e destino de cada fração recuperada. Os módulos são reciclados por processo 100% mecânico na unidade de Montes Claros/MG, com recuperação de mais de 80% do módulo. Esse conjunto de documentos alimenta os conteúdos 306-3 e 306-4 e responde à verificação externa.

A SunR é a única recicladora com escala utility-scale e certificação PV CYCLE no Brasil, o que ajuda empresas com metas globais de reciclagem de módulos a cumprir a meta também nas usinas brasileiras. Veja o certificado PV CYCLE.

+6.000 t
de módulos contratados
+190.000
módulos contratados
+360
coletas desde 2020
+80%
de recuperação mecânica

Perguntas frequentes

Módulo fotovoltaico descartado entra no relatório de sustentabilidade?

Sim. Pelo GRI 306, os módulos descartados são resíduos gerados pela operação e entram nos conteúdos 306-3 a 306-5, conforme o destino.

Em que unidade reportar?

Em toneladas métricas. O peso vem do MTR, do CDF e do relatório de destinação de cada lote.

Reciclagem de módulos conta como resíduo desviado da disposição?

Sim. Material reciclado entra no 306-4. Aterro e incineração entram no 306-5.

Qual documento a verificação externa pede?

Normalmente o CDF emitido pelo destinador licenciado, com o MTR da coleta e o relatório do lote.

E os módulos que ainda estão armazenados?

Ainda não foram destinados, mas devem ser explicados na gestão de resíduos (306-2), com plano e prazo de destinação.

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