Reciclagem, aterro ou sucata: o que acontece com o painel solar em cada caminho

Três destinos para módulos fotovoltaicos retirados de campo, o documento que cada um deixa no arquivo do gerador e o risco que sobra depois que o caminhão sai.

Por , fundador da SunR · 5 min de leitura · Atualizado em

Caminhão com a lona lateral aberta, carregado com módulos fotovoltaicos empilhados e presos com cintas, parado em pátio de terra sob céu azul
Lote de módulos saindo de campo: o destino escolhido define o documento que volta para o gerador.

Quem tira módulos de uma usina ou de um telhado comercial costuma ter três saídas: recicladora licenciada, aterro ou venda como sucata. As três esvaziam o pátio. A diferença aparece quando um fiscal, um financiador ou um auditor ESG pergunta para onde os módulos foram.

Pela PNRS (Lei 12.305/2010), o gerador responde pelo resíduo até a destinação final, e contratar coleta, transporte ou destinação não transfere essa responsabilidade (art. 27, § 1º). Por isso, o que decide entre os caminhos é o documento que fica no seu arquivo.

Os três caminhos lado a lado

Resumo para módulos de usinas, EPCs, O&M e empresas. MTR e CDF seguem a Portaria MMA 280/2020.
CaminhoO que acontece com o móduloDocumento do geradorRisco que fica com o gerador
Reciclagem licenciadaVidro, alumínio, cabos, caixa de junção e PMM são separados e voltam para a indústriaMTR de cada carga, CDF emitido no sistema MTR e relatório de destinação do loteCoberto por documento, desde que a licença, os MTRs e o CDF estejam em ordem
Aterro licenciadoO módulo é enterrado inteiro, com o vidro, o alumínio, o cobre e a prataMTR e CDF, se o aterro tiver licença para a classe do resíduoDestino legal, mas reservado a rejeitos: material perdido e pouca resposta para auditoria ESG
Venda como sucataO comprador fica com a moldura de alumínio e descarta o resto sem controleNota fiscal ou recibo de venda, que não comprova destinaçãoSem CDF, sem rastreabilidade e com risco de o módulo voltar ao mercado

Reciclagem com recicladora licenciada

O lote sai paletizado e com MTR, emitido pelo gerador antes de cada carga. Na recicladora, os módulos passam por triagem e o processo separa vidro, alumínio, cabos, caixa de junção e o PMM, a mistura de plástico, silício e metais como a prata. Cada fração segue para quem a usa como matéria-prima (como funciona a reciclagem).

Depois do tratamento, o destinador emite o CDF no sistema MTR. Pela Portaria MMA 280/2020, só ele pode emitir, e o certificado só vale se sair do sistema. O relatório de destinação completa a prova com quantidade, peso, datas e destino de cada material. O detalhe de cada documento está em MTR, CDF e relatório de destinação.

O risco que sobra é escolher mal: licença vencida ou que não cobre o lote, ou CDF com peso diferente dos MTRs.

Fluxo de documentos do descarte de painel solarMTR: Coleta no local: Levantamento do lote, paletização e emissão do MTR. MTR: Transporte: O lote viaja acompanhado do manifesto. Licença: Reciclagem: Triagem, separação mecânica e destino de cada material. CDF: Fechamento: Certificado de Destinação Final, relatório do lote e vídeo do processo. Arquivo do gerador: MTR, CDF e relatório respondem a fiscalização e auditoria ESG.Coleta no localLevantamento do lote, paletização eemissão do MTR.MTRTransporteO lote viaja acompanhado do manifesto.MTRReciclagemTriagem, separação mecânica e destinode cada material.LicençaFechamentoCertificado de Destinação Final,relatório do lote e vídeo do processo.CDFArquivo do geradorMTR, CDF e relatório respondem afiscalização e auditoria ESG.
O caminho do módulo e dos documentos: o MTR acompanha o transporte; o CDF e o relatório fecham o ciclo no arquivo do gerador.

Aterro: destino final para o que não tem mais recuperação

Um aterro licenciado é destinação final legal e, cadastrado no sistema MTR, emite CDF. O documento existe e registra que o módulo foi enterrado inteiro, com o vidro, que responde por 74% a 80% do peso, o alumínio, o silício e a prata.

A PNRS define uma ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e, por último, disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos (art. 9º). Rejeito, pela própria lei, é o que sobra depois de esgotadas as possibilidades de tratamento e recuperação (art. 3º, XV). Como já existe reciclagem de módulo fotovoltaico em operação no Brasil, o aterro fica difícil de justificar no plano de gerenciamento e numa auditoria ESG.

Sem laudo, o lote pode ser classe I, e aí o aterro precisa de licença para resíduo perigoso (veja painel solar é resíduo perigoso?).

Lixão e terreno baldio estão fora de qualquer conta: a PNRS proíbe o lançamento de resíduos in natura a céu aberto (art. 47, II), e as infrações seguem as sanções da Lei 9.605/1998.

Venda como sucata: o lote some, a responsabilidade fica

Vender o lote para um sucateiro esvazia o pátio e ainda rende algum dinheiro. O comprador fica com a moldura de alumínio, que soma na faixa de 10% do peso do módulo, e descarta o resto sem controle.

O documento que sobra é uma nota fiscal ou um recibo de venda. Ele prova a venda. Para onde o resíduo foi, ele não diz. Comprador de sucata que não é destinador licenciado não pode emitir CDF, e a PNRS mantém o gerador responsável mesmo depois de passar o material adiante (art. 27, § 1º).

Módulo com microfissura pode parecer bom por fora e, sem triagem nem laudo, voltar ao mercado revendido como novo, com o nome do gerador original ligado a ele. Módulos de fato bons podem ter segunda vida, com teste elétrico, laudo e termo de ciência do comprador, como mostra o guia de repotenciação de usina solar.

Molduras de alumínio de módulos fotovoltaicos empilhadas na vertical em um pátio de terra de usina, com estacas de madeira e um banheiro químico azul ao fundoBig bag aberto cheio de fragmentos escuros de laminado de módulo fotovoltaico, a mistura de plástico, silício e metais chamada PMM
Molduras de alumínio e PMM em big bag. A moldura é o que interessa ao sucateiro; o PMM, com silício e prata, só volta para a indústria pela reciclagem.

Três perguntas antes de escolher o destino

  1. Que documento fica no meu arquivo?

    O MTR de cada carga e o CDF emitido pelo destinador no sistema MTR. Sem os dois, não há como provar o destino numa fiscalização.

  2. Para onde vai cada material?

    O CDF diz a tecnologia aplicada. O relatório do lote diz quanto foi reciclado e para onde foram o vidro, o alumínio, os cabos e o PMM.

  3. A licença cobre o meu lote?

    Confira validade, endereço da unidade, atividade licenciada e classe do resíduo, seja o destino uma recicladora ou um aterro.

Coleta grátis sem MTR e sem prazo para o CDF costuma terminar em sucata ou aterro, e a conta volta para o gerador. O passo a passo está em descarte de painel solar, e as siglas, no glossário.

Como a SunR fecha cada lote

A SunR, primeira recicladora de painéis fotovoltaicos da América Latina, recicla módulos desde 2020 na unidade de Montes Claros (MG), com processo 100% mecânico. Cada coleta sai com MTR. No fim, o cliente recebe o CDF, o relatório de destinação com o destino de cada material e o vídeo do processo, pela logística reversa de módulos fotovoltaicos.

Para usinas, a gestão de resíduos para EPC e O&M padroniza esses documentos entre projetos. Não há volume mínimo.

+6.000 t
de módulos contratados
+190.000
módulos contratados
+360
coletas desde 2020
+80%
de recuperação mecânica

Perguntas frequentes

Posso mandar painel solar para aterro?

Aterro licenciado para a classe do resíduo é destinação legal e emite CDF. Mas a PNRS põe o aterro depois da reciclagem na ordem de prioridade (art. 9º), e o módulo fotovoltaico tem reciclagem disponível.

Vender painel quebrado como sucata resolve a responsabilidade?

Não. A nota de venda não comprova destinação, e quem não é destinador licenciado não emite CDF. Pela PNRS, a responsabilidade continua com o gerador (art. 27, § 1º).

Que documento prova que o painel foi reciclado?

O CDF emitido pelo destinador no sistema MTR, ligado aos MTRs das cargas, junto com o relatório de destinação, que traz quantidade, peso e destino de cada material.

Coleta grátis de painel solar é segura?

Só se vier com MTR em cada carga e CDF no sistema, em prazo combinado. Sem esses documentos, não há como provar o destino.

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