Reciclagem de painel solar: como funciona e o que volta para a indústria

Do que o módulo é feito, como ele é desmontado e separado, e o que cada material vira depois de sair da recicladora.

Por , fundador da SunR · 8 min de leitura · Atualizado em

Caixa de acrílico aberta com quatro amostras de materiais recuperados da reciclagem de painel solar, identificadas como ribbon, mistura metálica, plástico e vidro
Amostras das frações que saem da reciclagem de um módulo fotovoltaico.

Sim, a reciclagem de painel solar já existe no Brasil. Um painel fotovoltaico é feito quase todo de vidro, alumínio, polímeros, silício e metais como cobre e prata, e a maior parte desse material pode ser separada e voltar para a indústria.

A dificuldade está na montagem: o módulo é colado, não parafusado. No fim da página, um índice leva aos guias mais específicos de descarte e reciclagem.

Do que é feito um painel solar

O painel de silício cristalino, que é a tecnologia de quase todas as instalações no Brasil, é um conjunto de camadas coladas e prensadas. Segundo a IRENA (Agência Internacional de Energia Renovável), cerca de três quartos do peso é vidro. Na balança da SunR, um módulo típico de usina pesa perto de 30 kg, e cerca de 3 kg são o alumínio da moldura. O resto se divide assim:

  • Vidro: a frente do painel, a maior parte do peso.
  • Alumínio: a moldura que dá rigidez ao conjunto.
  • Polímeros: o encapsulante (EVA) e a folha traseira (backsheet), que selam as células.
  • Silício: as células que convertem luz em energia.
  • Cobre e estanho: as fitas e os fios que conduzem a corrente.
  • Prata: em pequena quantidade, nos contatos das células. Sim, painel solar tem prata.
  • Caixa de junção e cabos: plástico e cobre, na parte de trás.

Por que a reciclagem já é necessária hoje

Um painel solar dura de 25 a 30 anos, e a grande onda de fim de vida útil no Brasil deve chegar entre 2045 e 2055. Mesmo assim, o módulo quebrado já existe, por quatro motivos:

  • Sinistros: granizo e vendaval quebram milhares de módulos de uma vez em usinas inteiras.
  • Repotenciação: módulos instalados entre 2017 e 2020 ficaram para trás em eficiência, e usinas trocam esses módulos antes do fim da vida útil.
  • Defeitos de fábrica e de transporte: microfissuras, pontos quentes e vidro trincado tiram módulos de operação cedo.
  • Exigências de ESG: financiadores e investidores pedem comprovação do destino dos resíduos.
Carreta com lona vermelha aberta em pátio de terra, carregada com pilhas de módulos fotovoltaicos retirados de campo, com um operador ao lado da cabine
Coleta de módulos retirados de campo: o começo da reciclagem.

Primeiro, reutilizar; depois, reciclar

Nem todo módulo retirado de campo precisa ser reciclado. Módulos sem dano físico e com bom desempenho elétrico podem ter uma segunda vida, desde que passem por teste, tenham laudo e o comprador assine um termo de ciência. Os quebrados, com defeito ou sem condição de uso seguem para a reciclagem.

Essa separação acontece na triagem. Segunda vida depende do lote e do resultado do teste, então ninguém deveria prometê-la antes de ver os módulos. O que a triagem impede é que um módulo danificado volte ao mercado como se fosse bom.

Como funciona a reciclagem de painel solar, passo a passo

  1. Coleta rastreada

    Os módulos saem do local acompanhados do Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), emitido no sistema oficial. Bem paletizados, ocupam menos carretas e reduzem o custo por tonelada.

  2. Triagem

    Cada módulo é avaliado por tecnologia, peso e estado. Aqui se decide o que pode ser reutilizado e o que segue para reciclagem.

  3. Desmontagem

    Saem a moldura de alumínio, a caixa de junção e os cabos. São materiais de valor e fáceis de reaproveitar.

  4. Separação do vidro

    O vidro é separado do laminado, a camada que contém as células, os polímeros e os metais.

  5. Separação dos materiais

    O que sobra do laminado, plástico, silício, prata e outros metais, sai como uma fração só: o PMM (do inglês plastic metal mix).

  6. Destinação e documentação

    Cada material segue para a indústria que o reaproveita, e o cliente recebe o Certificado de Destinação Final (CDF) e o relatório do lote.

Etapas da reciclagem de painel solar1. Coleta rastreada: Saída do local com MTR. 2. Triagem: Módulo a módulo: reutilizar ou reciclar. 3. Desmontagem: Moldura de alumínio, caixa de junção e cabos. 4. Separação do vidro: O vidro sai do laminado. 5. Separação do laminado: Silício, cobre, prata, estanho e polímeros. 6. Destinação e documentos: Materiais voltam à indústria; cliente recebe CDF e relatório.1. Coleta rastreadaSaída do local com MTR.2. TriagemMódulo a módulo: reutilizar ou reciclar.3. DesmontagemMoldura de alumínio, caixa de junção e cabos.4. Separação do vidroO vidro sai do laminado.5. Separação do laminadoSilício, cobre, prata, estanho e polímeros.6. Destinação e documentosMateriais voltam à indústria; cliente recebe CDF erelatório.
Etapas da reciclagem mecânica de um painel solar, da coleta à documentação.

Reciclagem mecânica, térmica e química

Existem três caminhos para separar os materiais do painel. A reciclagem mecânica usa corte, trituração e separação física, sem queima e sem produtos químicos. A térmica queima os polímeros para soltar as células. A química usa solventes e ácidos para dissolver as camadas e recuperar metais com mais pureza.

A SunR usa um processo 100% mecânico, com tecnologia própria e patente depositada no INPI, que recupera mais de 80% do módulo sem gerar efluentes químicos. O resultado são quatro frações:

  • Vidro recuperado da reciclagem de módulos fotovoltaicos, sobre fundo branco
    Vidromoído, segue para a indústria do vidro e para microesferas de sinalização viária
  • Alumínio recuperado da reciclagem de módulos fotovoltaicos, sobre fundo branco
    Alumínioperfis da moldura, seguem para fundição
  • PMM recuperado da reciclagem de módulos fotovoltaicos, sobre fundo branco
    PMMmistura de plástico, silício e metais como prata
  • Cabos e conectores recuperado da reciclagem de módulos fotovoltaicos, sobre fundo branco
    Cabos e conectoresseguem para a recuperação do cobre
As quatro frações que saem da reciclagem mecânica de um módulo fotovoltaico.

O que cada material vira depois

  • Vidro: vai para a indústria do vidro e para a fabricação de microesferas, as bolinhas de vidro misturadas à tinta de sinalização viária que fazem a faixa da estrada refletir o farol.
  • Alumínio: volta para a fundição. Reciclar alumínio gasta cerca de 95% menos energia do que produzir alumínio novo, segundo o International Aluminium Institute.
  • PMM: é o subproduto mais estratégico, porque concentra o silício e a prata. Segue para empresas de recuperação de metais, inclusive no exterior.
  • Cabos: seguem para a recuperação do cobre.
Mão com luva preta segurando vidro granulado fino recuperado da reciclagem de módulos fotovoltaicos, sobre um big bag brancoPerfis de alumínio das molduras de painéis solares separados em gaiolas metálicas sobre paletes, no piso de um galpão
Vidro granulado e perfis de alumínio das molduras, prontos para voltar à indústria.

Em abril de 2025, a SunR chegou a vender 100% dos subprodutos que separa: vidro, alumínio, PMM, cabos e caixas de junção.

Documentos que comprovam a reciclagem

Quem gera o resíduo responde pelo destino dele, segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010). Por isso a reciclagem precisa terminar em papel: MTR no transporte, CDF no fim do processo e relatório de destinação com quantidade, peso, datas e destino dos materiais. Sem esses documentos, não há como provar o destino numa fiscalização ou numa auditoria ESG.

O passo a passo do descarte, com o que a lei diz e os erros mais comuns, está no guia de descarte de painel solar. As normas, uma a uma, estão no guia sobre a lei do descarte de painel solar.

Como escolher uma empresa de reciclagem de painel solar

O caminhão sair do pátio não encerra a responsabilidade de quem gerou o resíduo. Antes de contratar uma empresa de reciclagem de painel solar, confira seis pontos:

  • Licença ambiental válida para receber e tratar módulos fotovoltaicos, no nome de quem vai processar o material.
  • MTR emitido no sistema oficial já na coleta, com o peso e a quantidade do lote.
  • CDF ao fim do processo, mais um relatório que diga para onde foi cada material.
  • Destino do vidro e do PMM, não só do alumínio. Quem compra módulo como sucata fica com a moldura e descarta o resto, que é a maior parte do peso.
  • Prova do processo: o que é desmontado, o que é separado, qual a taxa de recuperação e, de preferência, vídeo do processo.
  • Frete combinado por escrito: você pode contratar o transporte ou deixar com a recicladora, e o que muda é quem assume o custo e o risco no trajeto.

Coleta gratuita sem documento costuma terminar em sucata ou aterro, e a conta volta para o gerador. Na SunR, cada lote fecha com MTR, CDF, relatório de destinação e vídeo do processo, pelo serviço de logística reversa de módulos fotovoltaicos. Não há volume mínimo: para poucos módulos, há pontos de coleta em sete cidades, listados no guia de descarte.

O mercado de reciclagem de painéis solares

O Brasil passou de 60 GW de capacidade solar instalada em 2025, segundo a ABSOLAR. Todo esse parque vai, em algum momento, virar resíduo. No mundo, a Rystad Energy estimou, em 2022, que o mercado de reciclagem de painéis fotovoltaicos chegue a US$ 2,7 bilhões até 2030.

A SunR na reciclagem de painéis solares

A SunR é a primeira recicladora de painéis fotovoltaicos da América Latina. Começou com uma pergunta de faculdade, em 2019: o que acontece com os painéis daqui a 25 ou 30 anos? No Brasil, ninguém reciclava. A PV CYCLE, associação europeia de reciclagem fotovoltaica, validou a ideia e avisou que o problema chegaria antes, porque painel quebra muito antes do fim da vida útil.

Em 2020, o primeiro módulo foi desmontado à mão. A primeira grande demanda, em setembro daquele ano, foram 9 toneladas descarregadas à mão. Hoje o processo é mecânico, a unidade de processamento fica em Montes Claros (MG) e a PV CYCLE, parceira desde 2019, emite com a SunR o certificado de reciclagem. O maior caso público, o da ENGIE em Paracatu (MG), está na página de cases.

+6.000 t
de módulos contratados
+190.000
módulos contratados
+360
coletas desde 2020
+80%
de recuperação mecânica

Guias de descarte e reciclagem de painel solar

Este é o guia principal do tema. Cada pergunta mais específica tem um guia próprio:

Perguntas frequentes

Existe reciclagem de placa solar no Brasil?

Sim. A SunR recicla painéis fotovoltaicos no Brasil desde 2020, com processo 100% mecânico e emissão de Certificado de Destinação Final.

Quanto de um painel solar é reciclável?

A maior parte. Vidro, alumínio, cabos e o PMM, que concentra silício e prata, voltam para a indústria. A SunR recupera mais de 80% do módulo por processo mecânico.

Painel solar tem prata?

Tem, em pequena quantidade, nos contatos das células de silício. Ela sai no PMM, a fração que segue para recuperação de metais.

Quanto tempo dura um painel solar?

De 25 a 30 anos, em geral. Mas muitos módulos saem de operação antes, por granizo, vendaval, defeito ou repotenciação da usina.

Painel solar quebrado pode ser reciclado?

Pode. Módulos quebrados são a maior parte do que chega para reciclagem hoje. O importante é armazenar com o vidro virado para baixo e proteger os conectores até a coleta.

A SunR recicla pequenas quantidades?

Sim, sem volume mínimo. Para poucos módulos, há pontos de coleta em Porto Alegre, Araranguá, Florianópolis, Cascavel, São Carlos, São Paulo e Brasília.

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