Painel solar aguenta granizo? E o que fazer com os módulos depois do sinistro

O teste da norma, os limites dele e o caminho da usina entre a chuva de granizo e o certificado de destinação.

Por , fundador da SunR · 7 min de leitura · Atualizado em

Vista aérea de uma usina solar com várias fileiras de módulos danificados, estruturas desalinhadas e módulos soltos entre as mesas
Usina depois de um evento climático: parte das mesas perdeu módulos e parte segue de pé.

Painel solar aguenta granizo pequeno e médio: o módulo fotovoltaico certificado é testado contra impacto de gelo antes de chegar ao mercado. Granizo grande quebra o vidro, e mesmo quando o vidro resiste as células por dentro podem trincar sem aparecer a olho nu.

Para quem já levou a pancada, o problema muda de lugar: sai das mesas e vai para o pátio. O módulo quebrado continua gerando energia, o vidro corta e o lote não pode virar sucata sem documento. Abaixo, o que o teste cobre e o caminho da usina entre a chuva e o certificado de destinação.

O teste de granizo da norma IEC 61215

A IEC 61215 é a norma internacional de qualificação de módulos fotovoltaicos de silício cristalino. Um dos ensaios dela, o MQT 17, dispara uma bola de gelo de 25 mm de diâmetro a 23 m/s em 11 pontos do módulo, incluindo cantos, bordas e a região das conexões. O módulo passa se não tiver defeito visual grave e se a corrente de fuga medida depois continuar dentro do limite (resumo do ensaio, Sinovoltaics).

Esse é o mínimo. A própria norma prevê bolas maiores para quem quer testar mais, e laboratórios independentes consideram o ensaio básico insuficiente para usinas em regiões com granizo frequente (PVEL, Module Reliability Scorecard). Na prática, o certificado diz que o módulo resiste a granizo pequeno. Ele não promete nada sobre pedras do tamanho de uma bola de golfe.

Quando o painel solar quebra com granizo

O dano mais óbvio é o vidro estilhaçado, em teia, que aparece de longe. O mais caro de identificar é o que não aparece: microfissuras nas células, que reduzem a geração aos poucos e criam pontos quentes meses depois do evento.

Três coisas fazem do módulo quebrado um problema de segurança, além de financeiro:

  • Ele continua gerando energia. Com sol, um módulo com vidro estilhaçado ainda tem tensão nos conectores.
  • A água entra. Pelo vidro trincado, a umidade chega às células e às fitas, aumenta a corrente de fuga e acelera a corrosão.
  • O vidro corta. Retirar e empilhar módulos quebrados sem luva, sem palete e sem método machuca gente e espalha caco pelo terreno.

O que fazer com os módulos depois do granizo na usina

A ordem importa. Mexer nos módulos antes da vistoria pode atrapalhar a indenização, e deixar o lote no pátio por meses transforma o sinistro em passivo ambiental. A linha do tempo abaixo é a que vemos funcionar em usinas.

  1. Isole e registre

    Desligue e isole as áreas atingidas, sinalize o perigo de choque e de corte e registre tudo: fotos com data, mapa das mesas afetadas e os dados de geração antes e depois do evento.

  2. Avise a seguradora

    Comunique o sinistro dentro do prazo da apólice e pergunte o que precisa ficar intocado até a vistoria. Os módulos danificados costumam ser tratados como salvado: não venda nem descarte nada antes da liberação.

  3. Acompanhe a vistoria

    Separe a documentação técnica da usina (projeto, lista de módulos com número de série, contratos de O&M) e acompanhe o perito em campo.

  4. Faça a inspeção e a triagem

    A inspeção termográfica aérea mostra os módulos com ponto quente e microfissura que o olho não vê. Junto com teste elétrico, ela separa o que está perdido do que pode continuar em campo.

  5. Retire e armazene com segurança

    Módulos perdidos saem das mesas, vão para paletes com a face de vidro para baixo, com conectores protegidos e quebrados separados dos inteiros.

  6. Colete, recicle e documente

    O lote sai com Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) e termina com Certificado de Destinação Final (CDF) e relatório de destinação. É isso que fecha o processo com a seguradora, o financiador e o órgão ambiental.

Linha do tempo depois do granizo na usinaDia 0: Evento: Isolar as áreas atingidas e registrar fotos e dados de geração. Dias: Vistoria e seguro: Aviso à seguradora e vistoria antes de mexer nos módulos. Semanas: Inspeção e triagem: Termografia e teste para separar módulos perdidos dos recuperáveis. Semanas: Retirada e coleta: Desmontagem, paletização e saída com MTR. Fim: Reciclagem e CDF: Documentos fecham o sinistro e o passivo ambiental.EventoIsolar as áreas atingidas e registrarfotos e dados de geração.Dia 0Vistoria e seguroAviso à seguradora e vistoria antes demexer nos módulos.DiasInspeção e triagemTermografia e teste para separarmódulos perdidos dos recuperáveis.SemanasRetirada e coletaDesmontagem, paletização e saída comMTR.SemanasReciclagem e CDFDocumentos fecham o sinistro e opassivo ambiental.Fim
O que acontece com os módulos depois de uma chuva de granizo, do evento à baixa do passivo.

Seguro: por que o registro vem antes da retirada

Granizo pesa no seguro de usina. Nos Estados Unidos, o relatório Solar Risk Assessment 2025, da kWh Analytics, apontou o granizo como responsável por 73% do valor das perdas seguradas de usinas solares, embora represente só 6% das ocorrências (TaiyangNews, junho de 2025). Poucos eventos, prejuízo grande.

Cada apólice tem regras próprias, então a primeira conversa é com o corretor. O que ajuda em quase todos os casos: registro do evento no mesmo dia, dados de geração que mostrem a queda, laudo técnico com a contagem de módulos perdidos e um plano de destinação que a seguradora consiga auditar. Módulo que some do pátio sem documento é difícil de explicar depois.

Retirada, armazenamento e coleta

Uma usina atingida por granizo pode ter milhares de módulos quebrados ao mesmo tempo. A retirada precisa de equipe com equipamento de proteção, paletes, cintas e espaço no pátio.

Módulo não tem embalagem. Solto na carroceria, ele transporta ar e chega mais quebrado do que saiu. Empilhado em palete, com a mesma orientação e cintado, o lote ocupa menos carretas e reduz o custo por tonelada.

Evite deixar os paletes expostos à chuva por meses. O vidro quebrado deixa a água entrar no laminado, o material se degrada e o pátio vira passivo no balanço ambiental da usina.

Módulos fotovoltaicos com vidro estilhaçado e molduras tortas amontoados no solo de terra vermelha, com fileiras da usina ao fundoEquipe com uniforme e capacete prende com cintas um palete de módulos danificados ao braço de uma máquina para içamento no pátio da usina
Módulos perdidos no solo e um palete pronto para içamento: a retirada precisa de método.

Reciclagem e documentos que fecham o sinistro

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) diz que o gerador responde pelo resíduo até a destinação final comprovada. Numa usina, o gerador é o dono dos módulos, mesmo quando quem retira é o EPC ou a empresa de O&M. O contexto completo está no guia sobre a lei do descarte de painel solar.

Por isso, vender módulo quebrado como sucata ou aceitar coleta sem documento não resolve o sinistro. O sucateiro aproveita a moldura de alumínio, o resto some sem registro e a responsabilidade continua com o dono da usina. O caminho é uma recicladora licenciada, que emite MTR na coleta e CDF ao fim do processo. Veja o que exigir de quem recicla e como funciona a reciclagem de painel solar.

Paletes de módulos fotovoltaicos alinhados no pátio de uma usina, com equipe de capacete ao fundo e caminhão com guindaste pronto para a coleta
Módulos retirados das mesas, paletizados e prontos para sair da usina com MTR.

Caso real: tempestade em Paracatu (MG)

Em abril de 2023, uma tempestade atingiu o complexo fotovoltaico da ENGIE em Paracatu, Minas Gerais, e deixou cerca de 100 mil módulos sem condição de uso. Não foi um caso de granizo, mas o problema que ficou no pátio foi o mesmo: milhares de módulos quebrados de uma vez, com prazo de seguro e passivo ambiental correndo.

A estimativa inicial para reciclar o volume era de até três anos. A SunR fez a logística reversa e a reciclagem mecânica de 2.900 toneladas de painéis em pouco mais de um ano e abriu a unidade de Montes Claros (MG) para ficar mais perto da usina e encurtar o transporte. O vidro virou microesferas para tinta de sinalização viária, e prata e cobre seguiram para recuperação (Cenário Energia, 11/03/2025).

O que esse caso ensina para qualquer sinistro grande: volume e distância definem o prazo, e a documentação precisa acompanhar cada carga, não só o fim do processo. Mais detalhes na página de cases.

Como a SunR atende usinas e telhados depois do sinistro

A SunR, primeira recicladora de painéis fotovoltaicos da América Latina, entra depois da vistoria: inspeção termográfica para a triagem, coleta com MTR, reciclagem 100% mecânica e CDF com relatório do lote (quantidade, peso, datas e destino dos materiais) para a seguradora e para o arquivo ambiental. Para usinas com resíduo recorrente, veja a gestão de resíduos para EPC e O&M.

Se o granizo quebrou um ou dois painéis no telhado, a SunR também atende. Há pontos de coleta em Porto Alegre, Araranguá, Florianópolis, Cascavel, São Carlos, São Paulo e Brasília: você entrega os módulos no ponto mais perto, ou eles coletam no seu endereço (confira com a gente). O guia de painel solar quebrado ajuda a decidir entre conserto, seguro e descarte.

+6.000 t
de módulos contratados
+190.000
módulos contratados
+360
coletas desde 2020
+80%
de recuperação mecânica

Perguntas frequentes

Painel solar aguenta granizo?

Aguenta granizo pequeno. Módulos certificados pela IEC 61215 resistem a bolas de gelo de 25 mm a 23 m/s. Pedras maiores podem quebrar o vidro e trincar as células.

Como saber se o painel foi danificado mesmo sem vidro quebrado?

Pela queda de geração e por inspeção termográfica, que mostra pontos quentes causados por microfissuras. Teste elétrico confirma o diagnóstico.

Posso retirar os módulos quebrados antes da vistoria do seguro?

Só depois de falar com a seguradora. Isole a área por segurança, registre tudo e pergunte o que precisa ficar intocado até o perito passar.

O que fazer com os módulos quebrados pelo granizo?

Depois da liberação do seguro, enviar para uma recicladora licenciada, que emite MTR na coleta e CDF ao fim da reciclagem.

Módulo atingido por granizo ainda gera energia?

Sim. Mesmo quebrado, ele gera tensão quando recebe luz. Por isso a retirada exige isolamento, proteção dos conectores e equipe treinada.

A SunR atende também residências atingidas por granizo?

Sim. A SunR coleta sem volume mínimo. Para poucos módulos, há pontos de coleta em Porto Alegre, Araranguá, Florianópolis, Cascavel, São Carlos, São Paulo e Brasília.

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