Do que é feito um painel solar: camadas, materiais e a prata
A composição de um módulo fotovoltaico por peso, da frente de vidro à caixa de junção.

Do que é feito um painel solar: vidro, alumínio, plástico, silício e metais como cobre, estanho e prata, colados em camadas. Num módulo típico de usina, de cerca de 30 kg, o vidro sozinho pesa mais de 20 kg e a moldura tem cerca de 3 kg de alumínio.
Uma tonelada de painéis equivale a cerca de 33 módulos. Quase todo esse peso é vidro, e a parte mais valiosa, onde está a prata, é a que mais dá trabalho para separar.
Composição do painel solar por peso
Os números abaixo são da SunR, medidos em módulos de silício cristalino, a tecnologia da grande maioria das instalações no Brasil. Variam um pouco de fabricante para fabricante e de geração para geração de módulo.
Num módulo de 30 kg, isso dá de 22 a 24 kg de vidro, cerca de 3 kg de alumínio e de 3 a 4,5 kg de laminado. Caixa de junção e cabos somam menos de 1 kg.
| Fração | Parte do peso | De onde vem |
|---|---|---|
| Vidro | 74% a 80% | Frente do módulo |
| Alumínio | cerca de 10% | Moldura |
| PMM (plástico, silício e metais) | 10% a 15% | Laminado: EVA, células, fitas e backsheet |
| Caixa de junção | cerca de 2% | Parte de trás |
| Cabo | cerca de 1% | Cabos e conectores |
PMM é a sigla de Plastic Metal Mix, a mistura de plástico, silício e metais que sobra depois que o vidro e o alumínio saem. O termo e outros do setor estão no glossário.
As camadas de um módulo fotovoltaico, da frente para trás
Um painel solar parece uma peça só, mas é um sanduíche prensado a quente. Cada camada tem uma função:
Vidro
Vidro temperado de alta transparência, com cerca de 3 mm de espessura na maioria dos módulos. Protege as células, deixa a luz passar e dá a maior parte do peso. Em módulos bifaciais, há vidro também atrás.
Encapsulante (EVA)
Duas folhas de polímero, uma na frente e outra atrás das células. No forno de laminação, derretem e colam tudo, vedando as células contra umidade.
Células de silício
Lâminas finas de silício que convertem luz em energia. Sobre elas ficam os contatos metálicos que coletam a corrente, e é ali que está a prata.
Fitas (ribbons)
Tiras de cobre revestidas de estanho que ligam as células em série e levam a corrente até a caixa de junção.
Backsheet
Folha plástica traseira, em várias camadas, que isola eletricamente o módulo e protege contra umidade e radiação.
Moldura e vedação
Perfil de alumínio que dá rigidez e permite fixar o módulo na estrutura, com uma vedação de silicone ou fita entre a moldura e o laminado.
Caixa de junção e cabos
Caixa plástica colada atrás do módulo, com diodos de proteção, de onde saem os cabos de cobre com os conectores.
Painel solar tem prata?
Tem, em pequena quantidade. A prata está nos contatos impressos sobre as células: as linhas finas e as barras que coletam a corrente gerada no silício. Ela é aplicada como pasta e depois sinterizada, por isso fica presa à célula e não sai como uma peça separada.
Em peso, a prata é uma fração mínima do módulo. Por quilo, é o material mais valioso dele. Na reciclagem, ela segue junto com o silício e os demais metais na fração PMM, que vai para a indústria de recuperação de metais.
Quem procura painel velho para "tirar a prata" em casa não encontra nada aproveitável a olho nu, e quebrar o módulo sem método expõe a cortes, a vidro moído e a um material que continua gerando energia quando recebe luz.

Por que separar esses materiais dá trabalho
O painel solar é colado, não montado. Moldura e caixa de junção saem com relativa facilidade; o resto é um laminado em que vidro, EVA, células, fitas e backsheet foram fundidos sob calor e pressão para durar 25 anos ao sol e à chuva.
Separar o vidro do laminado e depois os metais do plástico exige processo próprio. É o que faz a diferença entre reciclar o módulo e só tirar o alumínio, que é o que acontece quando ele é vendido como sucata e o resto vai para o lixo.
A separação também precisa ser limpa. Vidro com pedaço de EVA grudado não entra na indústria do vidro, e PMM com caco de vidro vale menos para quem recupera metais. Cada fração vale pouco por quilo, então só tem destino se sair separada.

O que volta para a indústria
Separados, os materiais do painel voltam para cadeias que já existem. É o que a SunR vende de cada fração:
- Vidro: vai para a indústria do vidro e para a fabricação de microesferas da tinta de sinalização viária, a faixa que brilha no farol do carro.
- Alumínio: volta para a fundição.
- PMM: o subproduto mais estratégico, com silício e prata. Segue para empresas de recuperação de metais, inclusive no exterior.
- Cabos: vão para a recuperação do cobre.
- Caixa de junção: sai separada e também tem comprador.
- Vidromoído, segue para a indústria do vidro e para microesferas de sinalização viária

- Alumínioperfis da moldura, seguem para fundição

- PMMmistura de plástico, silício e metais como prata

- Cabos e conectoresseguem para a recuperação do cobre

Em abril de 2025, a SunR tinha vendido 100% dos subprodutos que gerou. O passo a passo do processo está no guia de reciclagem de painel solar. Se a dúvida é se esses materiais tornam o módulo um resíduo perigoso, veja painel solar é resíduo perigoso?.
E os painéis de filme fino?
Tudo acima vale para o silício cristalino. Módulos de filme fino, como os de telureto de cádmio, têm outra estrutura: duas lâminas de vidro com uma camada semicondutora muito fina entre elas, sem células de silício nem fitas. A composição muda, e a reciclagem também. Na triagem, cada lote é separado por tecnologia antes de seguir para o processo certo.
Quem recicla painel solar no Brasil
A SunR, primeira recicladora de painéis fotovoltaicos da América Latina, desmonta o módulo em cinco frações com tecnologia própria, 100% mecânica e sem química, com patente depositada no INPI. O relatório de destinação que o cliente recebe mostra quantidade, peso, datas e para onde foi cada material, junto com o MTR da coleta e o CDF, pela logística reversa de módulos fotovoltaicos.
Para poucos módulos, há pontos de coleta em Porto Alegre, Araranguá, Florianópolis, Cascavel, São Carlos, São Paulo e Brasília: você entrega os módulos no ponto mais perto, ou eles coletam no seu endereço (confira com a gente). O passo a passo está no guia de descarte de painel solar. Para saber quanto tempo um módulo dura antes de virar resíduo, veja vida útil do painel solar.
Perguntas frequentes
Do que é feito um painel solar?
Principalmente de vidro (74% a 80% do peso), alumínio da moldura (cerca de 10%) e um laminado de plástico, silício e metais (10% a 15%), mais caixa de junção e cabos.
Painel solar tem prata?
Tem, em pequena quantidade, nos contatos impressos sobre as células de silício. Na reciclagem, ela segue com o silício e os outros metais na fração PMM, que vai para a recuperação de metais.
Vale a pena desmontar painel solar em casa para tirar a prata?
Não. A prata está fundida às células em quantidade mínima, e quebrar o módulo expõe a cortes e a choque, porque ele continua gerando energia com luz.
Quanto pesa um painel solar?
Um módulo típico de usina pesa cerca de 30 kg, com cerca de 3 kg de alumínio na moldura. Uma tonelada tem cerca de 33 módulos. Modelos menores e mais antigos pesam menos.
Painel solar tem cobre?
Tem. O cobre está nas fitas que ligam as células e nos cabos que saem da caixa de junção.
Painel solar é reciclável?
Sim. Vidro, alumínio, cobre, silício e prata podem ser separados. A SunR recupera mais de 80% do módulo por processo mecânico.