Descarte de módulos fotovoltaicos para EPC: um padrão para todas as obras

Como o EPC organiza a destinação dos módulos quebrados na obra, com o mesmo procedimento em cada projeto e um pacote de documentos que o cliente final consegue auditar.

Por , fundador da SunR · 5 min de leitura · Atualizado em

Dois operadores carregam um módulo fotovoltaico com o vidro trincado até uma carreta sider de lona azul aberta, estacionada em terreno de terra, com outros módulos já empilhados dentro
Carregamento de módulos danificados em campo: cada carga sai com MTR.

Toda obra de usina solar gera módulos quebrados. Alguns chegam trincados da fábrica, outros quebram no descarregamento, no transporte interno ou na montagem. Em uma obra só, o volume parece pequeno. Somado entre vários projetos, com equipes, estados e prazos diferentes, vira um passivo que ninguém controla.

Esta página é para o gestor de EPC que quer resolver isso uma vez, com o mesmo procedimento em todas as obras, e entregar ao cliente final a documentação que ele vai precisar numa auditoria. A visão completa do serviço está em gestão de resíduos para EPC e O&M.

Quem responde pelos módulos quebrados na obra

A Lei 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, diz que quem gera o resíduo responde por ele até a destinação final comprovada. Contratar coleta, transporte ou tratamento de terceiros não isenta o gerador de responder por danos causados por gerenciamento inadequado (art. 27, § 1º).

Durante a obra, quem gera o resíduo costuma ser o EPC. Depois da entrega, os módulos que saem de campo passam a ser da usina e do O&M. O contrato da obra deve deixar claro quem figura como gerador no MTR em cada fase, e o que acontece com os lotes que ainda estão no canteiro na data de entrega.

O Decreto 10.240/2020, que lista o painel fotovoltaico entre os eletroeletrônicos da logística reversa, foi desenhado para uso doméstico. Para grandes geradores, o art. 6º permite acertar a logística reversa por contrato e manda prever a destinação no plano de gerenciamento de resíduos do gerador. O contexto completo está no guia da lei do descarte de painel solar.

Por que padronizar a destinação entre projetos

Sem padrão, cada obra resolve do seu jeito. Uma vende como sucata, outra deixa no canteiro até o fim, uma terceira contrata um destinador local sem saber se ele emite CDF. O resultado aparece na entrega: o cliente pede a prova de destino e o EPC tem documentos diferentes, incompletos ou nenhum.

  • Um destinador só, com licença conferida uma vez, para todas as obras.
  • O mesmo formato de MTR, CDF e relatório em cada lote, fácil de juntar no dossiê da obra.
  • Coletas programadas no cronograma, e não quando o canteiro já está sem espaço.
  • Menos risco de módulo danificado sumir sem registro e reaparecer no mercado como novo.

Procedimento padrão para os módulos da obra

  1. Registre no recebimento

    Confira cada entrega de módulos. Módulo que chega quebrado é fotografado ainda no caminhão, com número de série e nota fiscal. Esse registro é o que sustenta um pedido de garantia ou de cobertura do transporte.

  2. Separe na origem

    Defina uma área para os módulos danificados, separada das embalagens. Módulos com a face de vidro para baixo, sobre paletes, conectores protegidos e quebrados longe dos inteiros. Módulo quebrado continua gerando energia ao sol.

  3. Identifique o lote

    Uma planilha por obra: quantidade, fabricante, modelo, estado e motivo da retirada. É ela que vira o levantamento para a coleta e a base do relatório.

  4. Resolva a garantia antes da coleta

    Se o fabricante ou o transportador vai analisar o dano, espere a liberação. Só depois o lote vira resíduo.

  5. Colete com MTR

    O gerador emite o MTR antes de cada carga sair, no sistema do Sinir ou do estado da obra. Coletas entram no cronograma da obra.

  6. Receba CDF e relatório

    O destinador emite o CDF no sistema MTR e entrega o relatório do lote. Os dois vão para o dossiê da obra.

Vista do alto de um caminhão aberto carregado com módulos fotovoltaicos empilhados, alguns com o vidro manchado e trincado, num canteiro de terra com carros e outras pilhas de módulos ao fundo
Módulos retirados do canteiro e carregados para a coleta.

A documentação que o cliente final vai pedir

O dono da usina presta contas ao financiador, ao auditor e, muitas vezes, a um relatório de sustentabilidade. Quando ele pergunta para onde foram os módulos quebrados na construção, a resposta precisa estar pronta. Um pacote por obra resolve:

MTR e CDF seguem a Portaria MMA 280/2020. Planilha e relatório entram por contrato.
DocumentoO que mostra ao cliente
Planilha do loteQuantos módulos saíram de campo, quais e por quê
MTRsCada carga que saiu da obra, com transportador e destinador
CDFQue o resíduo foi tratado, com tecnologia e quantidade
Relatório de destinaçãoPeso, datas e destino de cada material
Licença do destinadorQue a destinação foi feita por empresa habilitada

O que conferir em cada documento está no guia MTR, CDF e relatório de destinação. Se o lote ainda não tem classificação, veja painel solar é resíduo perigoso?.

E os outros resíduos da obra?

Paletes, papelão, plástico de embalagem e pontas de cabo seguem o plano de gerenciamento de resíduos da obra, com destinadores licenciados para cada tipo. A SunR cuida dos módulos.

Depois da entrega: repotenciação e descomissionamento

O mesmo procedimento serve quando o EPC volta à usina para trocar módulos ou desmontar a planta. Os guias de repotenciação e de descomissionamento e retrofit mostram as etapas.

Como a SunR atende EPCs

A SunR é a primeira recicladora de painéis fotovoltaicos da América Latina, em operação desde 2020. Para EPCs, faz a coleta com MTR em cada obra, a reciclagem 100% mecânica na unidade de Montes Claros (MG) e entrega CDF, relatório de destinação e vídeo do processo, no mesmo formato para todos os projetos. O frete pode ser contratado pelo EPC ou organizado pela SunR.

A SunR coleta sem volume mínimo. Para ver quanto uma usina pronta acumula de módulos fora de operação ao longo dos anos, use a calculadora de passivo solar.

+6.000 t
de módulos contratados
+190.000
módulos contratados
+360
coletas desde 2020
+80%
de recuperação mecânica

Perguntas frequentes

O EPC é responsável pelos módulos quebrados durante a obra?

Em regra, quem gera o resíduo responde por ele, pela PNRS. O contrato da obra deve dizer quem figura como gerador no MTR em cada fase.

Módulo que chega quebrado da fábrica vai direto para reciclagem?

Não. Primeiro registre o dano no recebimento e resolva a garantia ou a cobertura do transporte. Só depois da liberação o lote vira resíduo.

Posso usar destinadores diferentes em cada obra?

Pode, mas cada um precisa ter licença conferida e entregar CDF no sistema MTR. Com um destinador só, a conferência é feita uma vez e os documentos saem no mesmo formato.

Que documentos entrego ao cliente na entrega da usina?

A planilha dos lotes, os MTRs de cada carga, os CDFs, o relatório de destinação e a licença do destinador.

A SunR recolhe os paletes e embalagens da obra?

Não. A SunR cuida dos módulos. Paletes, papelão e plástico seguem o plano de resíduos da obra com destinadores licenciados para cada tipo.

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