Sinistro em usina solar: laudo, salvado e destinação dos módulos

Para seguradoras, reguladores de sinistro e peritos que precisam fechar o processo de uma usina atingida por granizo, vendaval ou incêndio com o destino dos módulos comprovado.

Por , fundador da SunR · 6 min de leitura · Atualizado em

Módulos fotovoltaicos queimados e retorcidos depois de um incêndio em usina, com vidro estilhaçado, molduras de alumínio deformadas e restos de madeira carbonizada sobre o solo
Módulos depois de um incêndio em usina: o que sobra também precisa de destino documentado.

Quando granizo, vendaval ou incêndio atinge uma usina solar, o processo de sinistro tem duas metades. A primeira é vistoria, laudo e indenização. A segunda começa quando os módulos perdidos viram resíduo: milhares de peças de vidro quebrado no pátio, ainda gerando tensão ao sol, sem destino definido.

Esta página é para quem regula, vistoria ou paga esse sinistro. O caminho do lado da usina está no guia de granizo na usina.

O peso do clima no seguro de usinas solares

Nos Estados Unidos, o relatório Solar Risk Assessment 2025, da kWh Analytics, apontou o granizo como responsável por 73% do valor das perdas seguradas de usinas solares, com só 6% das ocorrências (TaiyangNews, junho de 2025). Não encontramos estatística pública equivalente para o Brasil, então não citamos número nacional aqui.

Para o regulador, a conta é prática: um evento pode tirar de operação milhares de módulos de uma vez, e cada um precisa sair da usina com documento.

O que o laudo técnico precisa registrar sobre os módulos

O laudo de sinistro também é a primeira peça da rastreabilidade do resíduo. Se ele já traz a contagem e a identificação dos módulos, a destinação só precisa fechar a conta.

  • Causa e data do evento, com fotos datadas e o mapa das mesas atingidas.
  • Quantidade de módulos perdidos, com fabricante, modelo, potência e, quando possível, número de série.
  • Critério de perda: dano visível (vidro estilhaçado, moldura torta, queima) e dano que só aparece em teste, como microfissuras e pontos quentes vistos na inspeção termográfica aérea ou no teste elétrico.
  • Estado dos módulos para transporte: inteiros, quebrados ou queimados. Isso muda a paletização e o tipo de carga.

Em incêndio, registre também o que queimou junto: material queimado pode mudar a classificação do resíduo. O guia painel solar é resíduo perigoso? explica o laudo de classificação pela ABNT NBR 10004.

Salvado: quem fica com os módulos e quem responde pelo resíduo

Módulo danificado costuma entrar no processo como salvado. O que acontece com ele depende da apólice e do acordo de indenização: há casos em que o salvado fica com o segurado, com abatimento no valor, e casos em que passa à seguradora. Por isso a primeira orientação ao segurado é não vender nem descartar nada antes da liberação.

A Lei 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, diz que quem gera o resíduo responde por ele até a destinação final comprovada, e contratar coleta ou tratamento de terceiros não tira essa responsabilidade (art. 27, § 1º). Quando o salvado muda de dono, a pergunta sobre quem figura como gerador no MTR precisa ser respondida no acordo, por escrito [VERIFICAR: entendimento jurídico sobre a responsabilidade do gerador quando o salvado é transferido à seguradora].

Salvado vendido a sucateiro ou revendedor sem laudo pode voltar ao mercado como módulo bom, com microfissura escondida, ligado ao nome da usina e da seguradora. Módulo sem dano físico e com bom desempenho elétrico pode ter segunda vida, desde que tenha laudo e termo de ciência do comprador. O resto vai para reciclagem.

Os documentos que fecham a destinação

MTR e CDF seguem a Portaria MMA 280/2020. O relatório de destinação é exigência de contrato.
DocumentoQuem emiteO que prova para o processo de sinistro
Laudo do sinistroPerito ou empresa de regulaçãoQuantos módulos foram perdidos, quais e por quê
MTRGerador, a cada cargaQue cada lote saiu da usina, com qual transportador e para qual destinador
CDFDestinador, no sistema MTRQue o resíduo foi tratado, com qual tecnologia e em qual quantidade
Relatório de destinaçãoDestinadorQuantidade, peso, datas e destino de cada material do lote
Fluxo de documentos do descarte de painel solarMTR: Coleta no local: Levantamento do lote, paletização e emissão do MTR. MTR: Transporte: O lote viaja acompanhado do manifesto. Licença: Reciclagem: Triagem, separação mecânica e destino de cada material. CDF: Fechamento: Certificado de Destinação Final, relatório do lote e vídeo do processo. Arquivo do gerador: MTR, CDF e relatório respondem a fiscalização e auditoria ESG.Coleta no localLevantamento do lote, paletização eemissão do MTR.MTRTransporteO lote viaja acompanhado do manifesto.MTRReciclagemTriagem, separação mecânica e destinode cada material.LicençaFechamentoCertificado de Destinação Final,relatório do lote e vídeo do processo.CDFArquivo do geradorMTR, CDF e relatório respondem afiscalização e auditoria ESG.
O caminho do módulo e dos documentos: o MTR acompanha o transporte; o CDF e o relatório fecham o ciclo no arquivo do gerador.

Para o regulador, a conferência mais útil é cruzar o laudo com o CDF: a quantidade de módulos perdidos deve bater com o que saiu nos MTRs e com o que o destinador certificou. Diferença sem explicação é sinal de material desviado no caminho. O detalhe de cada documento está no guia MTR, CDF e relatório de destinação.

Prazos de retirada: o que define o tempo de cada usina

O prazo de cada sinistro vem das condições da apólice, do cronograma de reposição dos módulos, das exigências do financiador e, às vezes, da licença de operação da usina. A destinação precisa caber nesse calendário.

Do lado da logística, quatro fatores pesam no tempo de retirada:

  1. Volume

    Milhares de módulos quebrados pedem várias carretas e equipe de retirada com equipamento de proteção.

  2. Distância

    A distância entre a usina e a unidade de reciclagem define o custo e o ritmo das cargas.

  3. Estado do material

    Módulo inteiro paletiza melhor que módulo estilhaçado ou queimado. Quanto pior o estado, mais tempo de preparo no pátio.

  4. Liberação do salvado

    Nada sai antes da liberação. Atraso na vistoria ou no acordo vira atraso na retirada.

Paletes de módulos fotovoltaicos alinhados no pátio de uma usina, com equipe de capacete ao fundo e caminhão com guindaste pronto para a coleta
Módulos retirados das mesas e paletizados no pátio da usina, prontos para sair com MTR.

O prazo de coleta e de emissão do CDF deve ser combinado em proposta, caso a caso, a partir do levantamento do lote. Até lá, o lote fica paletizado, com a face de vidro para baixo e protegido da chuva.

Um caso público: Paracatu (MG)

Em abril de 2023, uma tempestade atingiu o complexo fotovoltaico da ENGIE em Paracatu, Minas Gerais, e deixou cerca de 100 mil módulos sem condição de uso. A SunR fez a logística reversa e a reciclagem mecânica de 2.900 toneladas de painéis e abriu a unidade de Montes Claros (MG) para encurtar o transporte (Cenário Energia, 11/03/2025).

Num sinistro grande, a documentação tem de acompanhar cada carga. Mais detalhes em cases.

Como a SunR entra no processo de sinistro

A SunR é a primeira recicladora de painéis fotovoltaicos da América Latina, em operação desde 2020. Entra depois da vistoria e da liberação do salvado: levantamento do lote, coleta com MTR, reciclagem 100% mecânica na unidade de Montes Claros (MG) e, no fim, CDF, relatório de destinação e vídeo do processo, prontos para anexar ao processo de sinistro.

Para o resíduo recorrente da usina, veja a gestão de resíduos para EPC e O&M.

+6.000 t
de módulos contratados
+190.000
módulos contratados
+360
coletas desde 2020
+80%
de recuperação mecânica

Perguntas frequentes

O segurado pode descartar os módulos antes da vistoria?

Não deve. Ele pode isolar a área e registrar tudo, mas os módulos danificados costumam ser tratados como salvado e só saem da usina depois da liberação.

Que documento prova que os módulos do sinistro foram destinados?

O CDF, emitido pelo destinador no sistema MTR, junto com os MTRs de cada carga e o relatório de destinação do lote.

Salvado de módulo fotovoltaico pode ser vendido?

Módulo sem dano físico e com bom desempenho elétrico pode ter segunda vida, com laudo e termo de ciência do comprador. Módulo quebrado, queimado ou com microfissura deve ir para reciclagem.

Quanto tempo leva a retirada dos módulos de uma usina sinistrada?

Depende do volume, da distância até a unidade de reciclagem, do estado do material e da liberação do salvado. O prazo é combinado em proposta, a partir do levantamento do lote.

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