Sinistro em usina solar: laudo, salvado e destinação dos módulos
Para seguradoras, reguladores de sinistro e peritos que precisam fechar o processo de uma usina atingida por granizo, vendaval ou incêndio com o destino dos módulos comprovado.

Quando granizo, vendaval ou incêndio atinge uma usina solar, o processo de sinistro tem duas metades. A primeira é vistoria, laudo e indenização. A segunda começa quando os módulos perdidos viram resíduo: milhares de peças de vidro quebrado no pátio, ainda gerando tensão ao sol, sem destino definido.
Esta página é para quem regula, vistoria ou paga esse sinistro. O caminho do lado da usina está no guia de granizo na usina.
O peso do clima no seguro de usinas solares
Nos Estados Unidos, o relatório Solar Risk Assessment 2025, da kWh Analytics, apontou o granizo como responsável por 73% do valor das perdas seguradas de usinas solares, com só 6% das ocorrências (TaiyangNews, junho de 2025). Não encontramos estatística pública equivalente para o Brasil, então não citamos número nacional aqui.
Para o regulador, a conta é prática: um evento pode tirar de operação milhares de módulos de uma vez, e cada um precisa sair da usina com documento.
O que o laudo técnico precisa registrar sobre os módulos
O laudo de sinistro também é a primeira peça da rastreabilidade do resíduo. Se ele já traz a contagem e a identificação dos módulos, a destinação só precisa fechar a conta.
- Causa e data do evento, com fotos datadas e o mapa das mesas atingidas.
- Quantidade de módulos perdidos, com fabricante, modelo, potência e, quando possível, número de série.
- Critério de perda: dano visível (vidro estilhaçado, moldura torta, queima) e dano que só aparece em teste, como microfissuras e pontos quentes vistos na inspeção termográfica aérea ou no teste elétrico.
- Estado dos módulos para transporte: inteiros, quebrados ou queimados. Isso muda a paletização e o tipo de carga.
Em incêndio, registre também o que queimou junto: material queimado pode mudar a classificação do resíduo. O guia painel solar é resíduo perigoso? explica o laudo de classificação pela ABNT NBR 10004.
Salvado: quem fica com os módulos e quem responde pelo resíduo
Módulo danificado costuma entrar no processo como salvado. O que acontece com ele depende da apólice e do acordo de indenização: há casos em que o salvado fica com o segurado, com abatimento no valor, e casos em que passa à seguradora. Por isso a primeira orientação ao segurado é não vender nem descartar nada antes da liberação.
A Lei 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, diz que quem gera o resíduo responde por ele até a destinação final comprovada, e contratar coleta ou tratamento de terceiros não tira essa responsabilidade (art. 27, § 1º). Quando o salvado muda de dono, a pergunta sobre quem figura como gerador no MTR precisa ser respondida no acordo, por escrito [VERIFICAR: entendimento jurídico sobre a responsabilidade do gerador quando o salvado é transferido à seguradora].
Salvado vendido a sucateiro ou revendedor sem laudo pode voltar ao mercado como módulo bom, com microfissura escondida, ligado ao nome da usina e da seguradora. Módulo sem dano físico e com bom desempenho elétrico pode ter segunda vida, desde que tenha laudo e termo de ciência do comprador. O resto vai para reciclagem.
Os documentos que fecham a destinação
| Documento | Quem emite | O que prova para o processo de sinistro |
|---|---|---|
| Laudo do sinistro | Perito ou empresa de regulação | Quantos módulos foram perdidos, quais e por quê |
| MTR | Gerador, a cada carga | Que cada lote saiu da usina, com qual transportador e para qual destinador |
| CDF | Destinador, no sistema MTR | Que o resíduo foi tratado, com qual tecnologia e em qual quantidade |
| Relatório de destinação | Destinador | Quantidade, peso, datas e destino de cada material do lote |
Para o regulador, a conferência mais útil é cruzar o laudo com o CDF: a quantidade de módulos perdidos deve bater com o que saiu nos MTRs e com o que o destinador certificou. Diferença sem explicação é sinal de material desviado no caminho. O detalhe de cada documento está no guia MTR, CDF e relatório de destinação.
Prazos de retirada: o que define o tempo de cada usina
O prazo de cada sinistro vem das condições da apólice, do cronograma de reposição dos módulos, das exigências do financiador e, às vezes, da licença de operação da usina. A destinação precisa caber nesse calendário.
Do lado da logística, quatro fatores pesam no tempo de retirada:
Volume
Milhares de módulos quebrados pedem várias carretas e equipe de retirada com equipamento de proteção.
Distância
A distância entre a usina e a unidade de reciclagem define o custo e o ritmo das cargas.
Estado do material
Módulo inteiro paletiza melhor que módulo estilhaçado ou queimado. Quanto pior o estado, mais tempo de preparo no pátio.
Liberação do salvado
Nada sai antes da liberação. Atraso na vistoria ou no acordo vira atraso na retirada.

O prazo de coleta e de emissão do CDF deve ser combinado em proposta, caso a caso, a partir do levantamento do lote. Até lá, o lote fica paletizado, com a face de vidro para baixo e protegido da chuva.
Um caso público: Paracatu (MG)
Em abril de 2023, uma tempestade atingiu o complexo fotovoltaico da ENGIE em Paracatu, Minas Gerais, e deixou cerca de 100 mil módulos sem condição de uso. A SunR fez a logística reversa e a reciclagem mecânica de 2.900 toneladas de painéis e abriu a unidade de Montes Claros (MG) para encurtar o transporte (Cenário Energia, 11/03/2025).
Num sinistro grande, a documentação tem de acompanhar cada carga. Mais detalhes em cases.
Como a SunR entra no processo de sinistro
A SunR é a primeira recicladora de painéis fotovoltaicos da América Latina, em operação desde 2020. Entra depois da vistoria e da liberação do salvado: levantamento do lote, coleta com MTR, reciclagem 100% mecânica na unidade de Montes Claros (MG) e, no fim, CDF, relatório de destinação e vídeo do processo, prontos para anexar ao processo de sinistro.
Para o resíduo recorrente da usina, veja a gestão de resíduos para EPC e O&M.
Perguntas frequentes
O segurado pode descartar os módulos antes da vistoria?
Não deve. Ele pode isolar a área e registrar tudo, mas os módulos danificados costumam ser tratados como salvado e só saem da usina depois da liberação.
Que documento prova que os módulos do sinistro foram destinados?
O CDF, emitido pelo destinador no sistema MTR, junto com os MTRs de cada carga e o relatório de destinação do lote.
Salvado de módulo fotovoltaico pode ser vendido?
Módulo sem dano físico e com bom desempenho elétrico pode ter segunda vida, com laudo e termo de ciência do comprador. Módulo quebrado, queimado ou com microfissura deve ir para reciclagem.
Quanto tempo leva a retirada dos módulos de uma usina sinistrada?
Depende do volume, da distância até a unidade de reciclagem, do estado do material e da liberação do salvado. O prazo é combinado em proposta, a partir do levantamento do lote.